
Em meus reviews na revista Opperaa, recentemente escrevi sobre dois discos reveladores. Here Lies Love, uma parceria entre David Byrne e Fatboy Slim, além de Wake Up Nation, recente trabalho solo do músico inglês Paul Weller, um dos fundadores do The Jam.
O primeiro é em verdade um aglutinado de produção dos dois músicos que resolveram convidar intérpretes sigulares para “narrar” a vida da ex-primeira dama das Filipinas Imelda Marco. Ela ficou famosa pela coleção de sapatos, escândalos políticos etc. Basicamente, Here Lies Love traz as batidas de Fatboy Slim flertando com os estudos que David Byrne fez junto à música latina.
O segundo disco, Wake Up Nation, é o que me motiva a escrever este texto. O trabalho apresenta um apuro único de produção, e, não bastasse, também uma postura louvável do músico. No final da década de 70 e início da posterior, Weller serviu como frontman de uma das bandas mais expressivas do então insurgente movimento punk, mas mesmo participando da cena, nunca tiveram sua estética completamente enquadrada ali. Anos depois, ele participa do The Style Council, um projeto pop perfeito para servir à sessão da tarde com melodias doces de filmes adolescentes. Na época até que funfava! A partir daí, no início da década de 90, o músico participou ativamente das produções de bandas como Blur. Aliás, os backin vocals de Wonderwall, do Oasis, foram gravados pelo músico. Wake Up The Nation talvez seja o álbum que mais sintetize toda essa história. Tem guitarras sujas, a coisa melosa e também muito do britrock. Tudo sintetizado, coerente e sem forçar a barra na linha “caça-níquel”.
Bem, findado o momento revival, vale aqui um comentário: estaria o mercado fonográfico preparado para absorver um nível posterior da produção musical, com trabalhos mais cuidadosos, ou apenas alimentando a tendência de renovação através do resgate de antigos nomes?
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