
No dia 05 de abril, na última sessão em um shopping de BH, fomos eu e alguns colaboradores para conferir de perto Chico Xavier, película de Daniel Filho então já gerando uma certa repercussão junto ao público.
Com extensão mediana, história já conhecida e alguns clichês técnicos, saímos todos com impressões similares. Confesso que de todos, talvez eu, por não conhecer a fundo a história do médium brasileiro, ainda consegui absorver da obra ao menos seu aspecto histórico.
Passada a fase inicial, a Priscila Armani, colaboradora de Cinema dos sites Opperaa e Mondo BHZ dedicou-se à produção do review. Ainda tomada pelas impressões iniciais, postou um texto de aspecto opinativo e bem pessoal.
Pessoal também foi o retorno dos usuários. Alguns através de comentários, outros por Twitter ou pessoalmente. Já esperávamos algo parecido. Escrever sobre arte envolve uma percepção íntima. Sobre religião, um ponto de vista imerso em fatores como formação da identidade social, educação etc. Juntar os dois no jornalismo é ainda mais arriscado.
Desnecessário dizer que alguns tomaram as críticas ao filme como bravatas contra Chico Xavier. E aí entram minhas colocações. Além das revistas, desenvolvo trabalho de Analista de Redes Sociais na agência Plan B. Percebi, logo inicialmente, que uma das mais árduas tarefas de um profissional deste campo é ao mesmo tempo abraçar a filosofia do cliente, mas ao mesmo tempo manter-se distante de laços emotivos, possibilitando assim a construção de um discurso institucional mais formal e menos emotivo (e perigoso).
Muito mais comumente do que se imagina, usuários tomam demasiada liberdade para expressarem-se de forma inteiramente direta e sem receios éticos quando se referem a uma empresa, produto, marca etc… Descontentes então, nem se fala. Algumas redes, como o Twitter são ainda mais propícias ao discurso ríspido, muito em virtude de seu formato.
Cabe aí uma reflexão valiosa. O Engajamento, um dos principais focos nas estratégias de gestão de redes sociais, acontece de forma quase laboral. Procure entender o ponto de vista do usuário. Ele dá várias dicas sobre isso. Tente reverter a situação. Agradeça. Se quiser, argumente. Nunca deixe-o sem resposta. Ao final, perceberá que uma crítica revertida tem valor inestimável, e um comentário, mesmo que negativo, é manifestação pura da vontade de pertencer a uma rede.
Olá Salomão,
Interessante sua argumentação. Como já lhe falei, não levei muito em consideração o texto da sua esposa porque não sou cinéfila e não entendo patavina da parte técnica de cinema. Eu, particularmente, adorei o filme. Por vários motivos, mas claro que um deles é minha grande paixão pela história que foi contada e pela pessoa que foi Chico Xavier…
Porém já entrei em desacordo com ela quando se referiu ao filme sobre o Lula como não sendo um filme político. Como eu disse, aí já não é aspecto técnico, é visão política mesmo. Só espero que eu tenha me mantido na classe que me é habitual…rs
Enfim, se estamos na rede, seja como pessoa física ou jurídica e queremos “vender” uma idéia, um serviço ou produto, é fundamental sabermos relacionar. E isso significa entender que vamos receber críticas muitas vezes sem sentido. Acredito que a melhor forma é lembrar da velha frase: isso é profissional, não pessoal… muitas vezes não conseguimos reverter a crítica, mas conseguimos manter os laços de relacionamento!
Ótimo texto.
Abrs
Adriana
Falar de política então?!?
Complica o dobro…
[...] This post was mentioned on Twitter by Salomão Terra, Salomão Terra. Salomão Terra said: Chico Xavier, #jornalismo Cultural e #socialmedia http://goo.gl/R0q7 [...]
Assisti ao filme hoje e assim como a Adriana também gostei. O tema é bastante polêmico e complexo, qualquer crítica – seja contra ou à favor – será passível de repercussão mais acalorada. E concordo que tanto nesse filme quanto no do Lula a crítica ficou bastante polarizada, sendo aclamados por uns e execrados por outros. Não existe certo ou errado nisso, são apenas opiniões diferentes. Prefiro tirar minhas conclusões sobre o que me interessa do que me deixar levar pelo gosto dos outros. E nessa estória toda o Twitter está aí para, como se diz, “dar a cara a tapa”… é dureza mesmo!
Abçs
Dedé
A ideia é justamente essa. Jornalismo opinativo e redes sociais estão ai pra isso. Opinar, trocar infos e “dar a cara a tapa…”